Em resumo

A IdroAM comparou, em Julho de 2026, duas implantações do futuro Aeroporto Luís de Camões no Campo de Tiro de Alcochete, num estudo independente encomendado pela Associação de Moradores da Mata do Duque II. Com modelação hidráulica bidimensional e um evento com período de retorno de 100 anos, a implantação Nascente exigiu cerca de 21 km de canais artificiais e 720 mil m³ de acumulação; a Variante Oeste, 5,7 km e 140 mil m³. Ambas as soluções são tecnicamente viáveis. O estudo não demonstra inundação de pista, paragem de operações nem inviabilidade do aeroporto, e recomenda que a Variante Oeste seja aprofundada no Estudo de Impacte Ambiental.

O que deve saber

  • O estudo é independente e não substitui o Estudo de Impacte Ambiental promovido pela ANA.
  • A redução de 73% refere-se à extensão de canais artificiais; a redução de cerca de 81% refere-se ao volume modelado de acumulação. São grandezas diferentes.
  • Os resultados são saídas de um modelo comparativo e dependem dos dados, pressupostos e condições de fronteira utilizados.
  • O relatório considera ambas as implantações tecnicamente viáveis e recomenda aprofundar a Variante Oeste no processo de avaliação ambiental.
  • A pergunta útil nesta fase não é se o risco é mitigável, mas qual alternativa exige menos artificialização da drenagem ao longo do ciclo de vida.

1. O que foi estudado, e por quem

A IdroAM comparou duas implantações do aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, num estudo independente encomendado pela Associação de Moradores da Mata do Duque II.

As notícias recentes sobre o risco hidráulico associado ao futuro Aeroporto Luís de Camões trouxeram para o debate público uma questão que deve ser tratada com rigor: de que forma a localização da plataforma aeroportuária interfere com a drenagem natural e com a resposta do território a episódios de precipitação extrema?

Em Julho de 2026, a IdroAM realizou, para a Associação de Moradores da Mata do Duque II, uma avaliação preliminar e comparativa das condicionantes hidrológicas, hidráulicas e morfológicas de duas implantações no Campo de Tiro de Alcochete. Este trabalho é independente e não constitui o Estudo de Impacte Ambiental oficial promovido pela ANA.

2. O que o modelo mostrou

A análise utilizou modelação hidráulica bidimensional em HEC-RAS 6.6, um modelo digital do terreno com resolução de 2 metros e um evento de projecto com período de retorno de 100 anos — aproximadamente 1% de probabilidade anual de excedência. Na configuração analisada, a implantação Nascente apresentou maior interferência com a rede de drenagem de Vale Cobrão e maior dependência de canais artificiais.

Nas simulações comparativas, a extensão estimada desses canais passou de cerca de 21 km para 5,7 km e o volume modelado de acumulação de aproximadamente 720 mil para 140 mil m³ na Variante Oeste. A redução de 73% refere-se à extensão dos canais; a redução do volume modelado é de aproximadamente 81%.

Comparação, sobre fundo branco, das implantações Nascente e Variante Oeste do Aeroporto Luís de Camões, separadas por cerca de 5 km.
Implantação Nascente e Variante Oeste, cerca de 5 km a oeste. Fonte: IdroAM, 2026.

3. O que estes números não demonstram

Estes números são resultados do modelo e dependem dos dados, pressupostos e condições de fronteira utilizados. Não demonstram, por si só, inundação de pista, suspensão inevitável das operações ou inviabilidade do aeroporto. O próprio relatório considera ambas as soluções tecnicamente viáveis e recomenda que a Variante Oeste seja aprofundada no processo de avaliação ambiental, em conjunto com estudos geotécnicos e hidrogeológicos, monitorização piezométrica e soluções de drenagem sustentável.

4. Porque comparar alternativas antes da decisão

Para a IdroAM, a questão não é apenas saber se um risco pode ser mitigado por engenharia. É comparar, antes da decisão final, qual alternativa exige menor artificialização da drenagem, depende menos de estruturas extensas, oferece maior resiliência a eventos extremos e reduz o custo e a vulnerabilidade ao longo do ciclo de vida.

5. Perguntas frequentes

Quem encomendou o estudo da IdroAM e com que objectivo?

A Associação de Moradores da Mata do Duque II. O objectivo foi perceber se uma alteração relativamente pequena da localização da plataforma mudaria de forma significativa a relação da infraestrutura com o sistema natural de água.

O estudo faz parte do processo oficial de avaliação ambiental?

Não. É uma avaliação preliminar e comparativa, independente, e não substitui o Estudo de Impacte Ambiental promovido pela ANA, que corre na Agência Portuguesa do Ambiente como processo AIA 3982.

O estudo conclui que o aeroporto é inviável ou que terá de parar?

Não. O relatório considera ambas as implantações tecnicamente viáveis. Identifica diferenças hidráulicas relevantes entre elas e recomenda aprofundar a Variante Oeste no processo de avaliação ambiental. Não demonstra inundação de pista, profundidade ou duração de água, nem interrupção de operações.

O que significam os 80 hectares referidos nas notícias?

É o aumento da área afectada por inundação na configuração Nascente, no evento modelado, concentrado sobretudo nas bolsas encravadas entre a plataforma e os canais de drenagem. Na Variante Oeste, o valor comparável é de cerca de 18 hectares. Não corresponde a área de aeroporto alagada nem estabelece profundidade, duração ou efeito nas operações.

6. Autoria e créditos

Entidade: IdroAM Water Engineering.

Equipa técnica: Inês Antunes — CEO · Adriano Murachelli — Director Técnico.

Aprovação técnica final: Inês Antunes.

Os mapas e figuras que acompanham esta nota são elaborações técnicas produzidas pela IdroAM, divulgadas com autorização expressa da empresa (19 de Agosto de 2026, alargada a 2 de Setembro de 2026 às restantes imagens do material italiano).

Contacto comercial: info@idroam.pt

Ligação ao relatório: Consultar o relatório técnico completo (PDF)

7. Fontes